Baseado em Orlick 1978 e Brotto 1997
Para
saber mais:
* Vencendo a competição - Terry Orlick - Círculo do livro - 1989
* Jogos Cooperativos - Se o Importante é Competir, o Fundamental é
Cooperar - Fábio Otuzi Brotto - Projeto Cooperação - 1999 - 2ª
edição
* Jogos Cooperativos - Teoria e Prática - Guillermo Brown - Ed. Sinodal
Tipos
e Categorias de Jogos I
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 2 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
Algumas
pessoas mostram-se um tanto confusas quando falamos sobre os Jogos
Cooperativos, elas não conseguem entender como pode haver um jogo onde não
há vencedor e que mesmo assim seja motivante.
Segundo
Orlick "o principal objetivo do Jogo Cooperativo é criar oportunidades
para o aprendizado cooperativo e a interação cooperativa prazeirosa."
Em seu livro,
‘Vencendo a Competição’ - Orlick, classifica o Jogo Cooperativo em
categorias, onde pratica-se a cooperação em todas elas, porém em
diferentes graus. Dentro dessa ótica teríamos: O Jogo Cooperativo
sem perdedores, Jogos de resultado Coletivo, Jogo de inversão, Jogos
Semicooperativos.
Mas como
funcionam essas categorias dos jogos?
Vamos ter aqui
uma pincelada sobre cada uma delas.
Jogos Cooperativos sem
perdedores
Nesses jogos
normalmente não se tem perdedores, todas as pessoas jogam juntas para
superar um desafio comum.
Jogos
Cooperativos de Resultado Coletivo
São formadas
duas ou mais equipes que incorporam o conceito de trabalho coletivo por um
objetivo ou resultado comum à todos, sem que haja competição entre os
times que necessitam de alto grau de cooperação entre si, assim como,
cooperar coletivamente com os outros times para alcançar a meta.
Jogo de
Inversão
Esses jogos
quebram o padrão de times fixos e conseqüentemente mexem com a questão:
Quem venceu? Trazem o prazer pelo jogo e não pela vitória.
Existem
vários tipos de inversão o dependendo do tipo de jogo e das regras. Por
exemplo:
Rodízio: Os
jogadores trocam de times em determinados momentos, no final do lance, do
saque ou arremesso, por exemplo.
Inversão do
"Goleador":
Quem faz ponto muda de time.
Inversão do
placar: Os pontos
são marcados para o outro time.
Inversão
Total: Tanto quem faz
ponto quanto os pontos passam para o outro time.
Jogos
Semicooperativos
Esses jogos
favorecem o aumento da cooperação no grupo e oferecem as mesmas
oportunidades de jogar para todas as pessoas do time. Os times continuam
jogando um contra o outro mas a importância do resultado é diminuída, a
ênfase passa a ser o envolvimento ativo no jogo e a diversão.
Todos jogam:
Com times pequenos, procura-se fazer com que todos participem e joguem o
mesmo tempo.
Todos
tocam/todos passam:
Antes de tentar o ponto a bola precisa passar por todos os jogadores do
time.
Todos marcam
ponto: Para vencer o
jogo cada jogador do time precisa ter marcado ponto pelo menos uma vez.
Passe misto:
jogado com homens e mulheres onde a bola precisa passar alternadamente por
homens e mulheres.
Resultado
misto: Jogo com times
mistos onde os pontos são marcados alternadamente por homens e mulheres.
Todas as
posições:Todos os
jogadores passam por todas as posições do jogo.
Orlick,
relata que os Jogos Cooperativos sem perdedores, os de
Resultado Coletivo e os de Inversão são prontamente aceitos
pela maioria dos grupos etários, enquanto os jogos de resultado coletivo
não o são, especialmente em seus estágios iniciais de introdução. Por
isso um importante ponto a se ter em mente ao se introduzir quaisquer
atividades cooperativas é adaptar a tarefa para que apresente um desafio
apropriado ao grupo e as pessoas.
Bom jogo,
e até nosso
próximo encontro!
Para
saber mais:
* Vencendo a competição - Terry Orlick - Círculo do livro - 1989
* Jogos Cooperativos - Se o Importante é Competir, o Fundamental é
Cooperar - Fábio Otuzi Brotto - Projeto Cooperação - 1999 - 2ª edição
* Jogos Cooperativos - Teoria e Prática - Guillermo Brown - Ed. Sinodal
Tipos
e Categorias de Jogos
II
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 3 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
Na edição
número 2 tratamos dos Tipos e Categorias de Jogos na concepção de Terry
Orlick. Nesta edição abordaremos a visão de David Earl Plats1 sobre o
tema, a partir de material sistematizado por Magda Villa e Paula Falcão,
Consultoras Organizacionais e Focalizadoras do curso de Transformação de
Focalizadores no II Festival de Jogos Cooperativos, que inclusive fornecem
dicas preciosas para o focalizador, em cada uma das categorias.
David Earl
Plats, classifica os Jogos Cooperativos quanto a sua finalidade como
instrumento de aprendizagem, integração e visão sistêmica. Sendo assim
teríamos os Jogos de Quebra-gelo e Integração, os Jogos de Toque e
Confiança, os Jogos de Criatividade, Sintonia e Meditação e os Jogos de
Fechamento. Vamos à eles:
Jogos de
Quebra-gelo e Integração:
São jogos de abertura, nomes, ação, folia, musicais e com dança. São
jogos curtos e com altas doses de ação e gasto de energia. Servem para
unir o grupo desde o início da sessão, ajudando os participantes a
memorizar o nome de cada um, começar um contato e se descontraírem. Os
jogadores se soltam, aquecem, descarregam as tensões físicas e superam
reservas pessoais. Devem ser usados nas primeiras fases de desenvolvimento
do grupo, no início de cada reunião, após intervalos e todas as vezes que
o focalizador sentir que a energia e motivação da equipe estão
diminuindo.
Dicas para o focalizador:
*Torne
pessoal, mantenha pessoal, seja pessoal.
*Crie um
espaço seguro e convide as pessoas para ele.
*Modele –
mostre o que você espera da equipe.
*Quando
trabalhar com co-focalizador, combine antes quem faz o que – divida as
tarefas igualmente.
*Respeite a
estrutura das pessoas.
*Evite
negociar o que não for negociável.
*Seja mais
generalista do que detalhista.
*Seja
flexível e mostre aos participantes que existe a possibilidade de
mudança.
*Mostre que
percebeu os distúrbios.
Jogos de
Toque e Confiança: Depois
que o gelo foi quebrado, o objetivo do treinamento ou vivência pode
começar a ser gradualmente trabalhado. Estes jogos ajudam os participantes
a observar como lidam com a confiança em suas vidas. Conforme as pessoas
forem se abrindo podemos passar aos exercícios de toque. Os jogos de toque
e confiança devem ser utilizados com bastante cuidado, o focalizador deve
estar atento ao momento do grupo e às reações de cada participante,
assegurando-se de que o momento é este, pois eles podem disparar processos
psicológicos internos.
Dicas para o focalizador:
*Seja
sensível aos seus próprios processos psicológicos.
*Segure o
foco sutilmente – seja direto e facilite.
*Seja
sensível a processos psicológicos inconscientes tanto seus quanto dos
participantes.
*Encoraje e
dê suporte a responsabilidade interna do grupo – faça com que eles
sejam menos dependentes dos focalizadores.
*Dê mais
de si mesmo.
*Esteja
preparado para flexibilizar seus planos e para mudanças espontâneas.
*Evite
reagir ao grupo – nesta fase você pode estar sendo
testado.
*Mantenha o
foco no assunto do trabalho.
*Evite
guiar os participantes e dar soluções prontas.
Jogos de
Criatividade, Sintonia e Meditação: São
jogos que estimulam a expressão da imaginação, intuição e
criatividade. Nestes jogos os participantes podem se autoperceber e
mostrar abertamente aos outros o que descobriram acerca de si mesmos e do
grupo. Os participantes também fazem contato com seu próprio interior e
com o grupo, percebendo o "maior" em todos os níveis. Neste
momento o grupo já está completamente integrado, traballhando junto e
com plenas condições de aprofundar e introjetar o que foi visto até
agora.
Dicas para o focalizador:
*Encoraje
os participantes a serem positivos e procurarem soluções.
*Dê
ferramentas que eles possam usar e levar para casa.
*Reforce o
suporte do grupo.
*Trabalhe
com perdão, amor e transpessoalidade.
*Evite dar
falsas esperanças.
*Mantenha o
foco original, evitando começar a trabalhar um novo assunto agora.
Jogos de
Fechamento: Estes
jogos servem para dar às pessoas a chance de se posicionarem em relação
ao grupo e a si mesmas, transferindo o que fizeram no treinamento ou
vivência para o seu dia-a-dia.
Dicas para o focalizador:
*Assegure-se
de que o assunto está realmente fechado e que os participantes têm
consciência de que o treinamento ou a vivência terminou.
*Evite
continuar com assuntos anteriores.
*Ponha os
pés do grupo no chão, tenha certeza de que eles estão preparados para
ir embora.
*Termine
sempre com uma nota positiva.
*Se o
treinamento ou vivência disparou algo em um dos participantes que ainda
não pode ser trabalhado ou concluído, feche com os outros participantes
e a seguir trabalhe com o remanescente até encerrar o assunto.
Para saber
mais:
1Autodescoberta
Divertida - Uma abordagem da Fundação Findhorn para desenvolver auto
confiança nos grupos - David Earl Paltts, Ph.D. - Editora Triom – 1997
Livro com 70 jogos divididos nas categorias apresentadas.
Extraindo
o melhor do Jogo!
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 4 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
Nossos
leitores, tem participado ativamente com e-mails e cartas. Um tema que nos
inspirou foi: Como ir além do jogo, passando
Em primeiro
lugar, é preciso saber qual o objetivo a ser alcançado com aquele jogo
(Lazer? Quebra-gelo? Integração? Sintonia? Estabelecer confiança?
Demonstrar Conceitos?...) para que vou usar esse jogo?
É possível
aplicar um jogo pelo simples prazer de jogar, reforçando a auto-estima, o
compartilhar, o desenvolvimento de competências, a união, a confiança,
etc.
Sabemos que o
jogo traz em si um espaço para a aprendizagem podendo ter seu efeito
potencializado, proporcionando aos "jogadores"algo mais ! Partindo
de uma experiência concreta, que gera uma aprendizagem ativa, podemos
ilustrar pontos de um curso, aula, treinamento, oficina, palestra, etc...
Já disse Paulo Freire: "O homem não aprende apenas com sua
inteligência, mas com seu corpo e suas vísceras, sua sensibilidade e
imaginação."
Portanto, num
processo de aprendizagem o ideal é vivenciar para depois compreender, pois,
jogando, estamos simulando diversas situações, e desta forma podemos gerar
o famoso "insight" ou como dizemos aqui no Brasil - "cair a
ficha".
Quando o
participante se envolve no Jogo, ele o analisa criticamente e extrai algum
tipo de "insight", aplicando seus resultados na vida prática.
Podemos dizer, neste caso, que ocorreu uma "Aprendizagem Vivencial".
Carl Rogers
(1972) identifica a Aprendizagem Vivencial como um tipo de aprendizagem que
tem como especificidade ser "plena de sentido" e apresenta suas
características:
"Envolvimento
pessoal - a pessoa inclui-se no evento da aprendizagem tanto no aspecto
afetivo quanto cognitivo;
É
auto-iniciada - Mesmo com estímulos externos, o senso de descoberta, de
captar, de compreender, vem de dentro;
É penetrante
- por suscitar modificação no comportamento, nas atitudes;
É avaliada
pelo participante que sabe se a aprendizagem está indo ao encontro de suas
necessidades;
É verificada
pelo elemento de significação que traz ao participante. Significar é a
sua essência."
Este processo
de transformar a experiência em ação, normalmente não ocorre sozinho, as
pessoas necessitam de um tempo de processamento, para tirar conclusões e
fazer associações com sua vida. Neste momento, o Focalizador tem papel
fundamental, pois é através de sua mediação que o participante pode ir
mais fundo em sua reflexão.
Portanto para
que ocorra aprendizagem é fundamental cuidar do processamento do jogo.
Moscovici(1995) propõe neste momento a utilização do Ciclo de
Aprendizagem Vivencial, que busca a participação ativa do grupo e a
vivência plena no processo.
A autora
descreve esse ciclo como: a experiência concreta por meio de uma atividade;
a análise dessa experiência, através do compartilhamento de
observações, sentimentos e reações; a busca da conceituação, pelo
entendimento das semelhanças e diferenças observadas no grupo; a
aplicação dessas descobertas na vida real.
Esse ciclo, aplicado ao Jogo, marca as seguintes fases:
1a
Vivência - a atividade por meio da experiência concreta: o ato de jogar e
se deparar com algo que leve os participantes ao novo;
2a
Relato - a análise dessa experiência: através do diálogo e da reflexão
dentro do grupo como um todo ou em duplas, trios, etc. Pode ser aberto ou
estimulado por questões levantadas pelo focalizador. Fique atento para que
todos que desejem, tenham oportunidade de falar. Cuidado com participantes
que "falam demais" tomando todo o tempo do grupo;
3a
Processamento - a busca da conceituação: associada à fase anterior por
meio do entendimento das semelhanças e diferenças e associação da
vivencia com padrões de comportamento no grupo e a sistematização da
experiência vivida. Cuidado com respostas e/ou colocaçãoes prontas,
fechadas e com a indução. Vale lembrar, que quem participa do jogo, tem
sua bagagem, assim como, valores e crenças que nem sempre são os do
Focalizador ou de outro participante e que devem ser respeitadas.
4a
Generalização - associar a experiência com o dia-a-dia: fazer um breve
paralelo, com a realidade, mantendo o foco no tema e no momento do grupo.O
Focalizador está exercendo o papel de mediador, para proporcionar uma
reflexão onde cada um processe a vivência a partir de suas experiências
anteriores.
5a
Aplicação - a proposta de aplicação dessas descobertas na vida real:
ocorre uma síntese das reflexões e a proposta das aplicações dessas
reflexões ao seu dia-a-dia.
Segundo Maria
Rita M. Gramigna (1995), quando as pessoas vivenciam um jogo em todas as
fases propostas, elas têm melhor chance de alcançar a aprendizagem por
trabalharem, de forma harmônica, os dois hemisférios cerebrais.
Estimulamos o
acionamento do hemisfério direito nas fases da vivência e do relato de
sentimentos e o esquerdo nos momentos de avaliação, análise e analogias.
Ao fechar o
Ciclo de Aprendizagem Vivencial, o comportamento final não somente estará
pautado no racional, mas também no emocional, buscando assim, resgatar o
ser humano integral.
Para
saber mais:
*Brown, Guillermo. Jogos Cooperativos - Teoria e Prática -
Vivenciando
os Jogos Cooperativos como uma prática re-educativa
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 5 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
Quando
comecei a trabalhar com Jogos Cooperativos, eles representavam, ferramentas
interessantes que vinham compor meu trabalho como consultora e facilitadora
de grupos, entrando como co-adjuvantes, no processo de aprendizagem. A
medida em que trabalhava com esses jogos, percebia o que Guillermo Brown
quer dizer com a frase: " esses jogos são muito mais que jogos!"
E assim, fui
crescendo e me abrindo mais enquanto pessoa, percebendo que minhas crenças
e valores mudavam ao mesmo tempo em que auxiliava pessoas a mudar paradigmas
em meus treinamentos. É como diz Neyde Marques, "todos somos mestres
aprendizes..." quem trabalha com grupos sabe o quanto aprendemos com
eles. E no que se refere aos Jogos Cooperativos, eles realmente transformam.
Segundo Fábio Brotto: "Podemos vivenciar os Jogos Cooperativos como
uma prática re-educativa, capaz de transformar nosso Condicionamento
Competitivo em Alternativas Cooperativas para realizar desafios, solucionar
problemas e harmonizar os conflitos."
Nesse
caminho, notei que quanto mais me envolvia com a Filosofia da Cooperação,
melhor focalizava um jogo e consequentemente os resultados também
melhoravam. Fábio Brotto frisa um aspecto importante em entrevista
concedida em nossa primeira edição:
"... o sucesso de um treinamento está atrelado ao quanto o focalizador
está envolvido com a proposta dos Jogos Cooperativos..."
Se o Jogo
Cooperativo está sendo utilizado como ferramenta de transformação e
quebra de paradigmas é importante que quem o focaliza, esteja sim, muito
envolvido com esse valor.
Na verdade,
as pessoas que vivem e utilizam os Jogos Cooperativos passam a ter uma nova
visão de si e do mundo. Segundo Fábio Brotto, os Jogos Cooperativos
propõe um exercício de ampliação da visão sobre a realidade da vida
refletida no jogo. Percebendo os diferentes estilos do jogo-vida é
possível escolher com consciência o estilo mais adequado para cada
momento. Nós jogamos de acordo com nosso jeito de ver-e-viver cada
situação.
O ser humano
age de acordo com suas crenças e valores. Ele vai responder ao meio que o
cerca baseado em seus programas e condicionamentos internos. Segundo Brotto,
teriamos 3 formas de ver (perceber) as situações da vida e portanto 3
formas de viver (agir) em nossa vida.
Confira na
tabela abaixo, três Jeitos de ver-e-viver
o jogo da vida

Brotto, 2001 - Jogos Cooperativos - O Jogo e o Esporte como um Exercício
de Convivência - pg.61
Portanto, um Jogo Cooperativo
pode proporcionar muito mais do que imaginamos na vida de alguém. Quem o
vivencia pode ter novas atitudes, trilhar novos caminhos e até conquistar
uma nova vida, assim foi comigo.
Jogos Cooperativos
e Educação
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 6 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
A
tecnologia avançada, o individualismo e a riqueza material tornaram-se mais
importantes para o homem moderno que valores como a união, o amor, a
cooperação, a bondade, a paz, a responsabilidade, a organização e a
riqueza espiritual. Nossa sociedade é baseada no consumo e orientada para a
produtividade, portanto dentro deste contexto, muitas vezes o único caminho
que vemos é o da competição. Se acreditamos que a competição é o
único e natural caminho, entramos em uma grande armadilha, pois se é isso
que acreditamos é o que construiremos.
Muitos dizem
que competir faz parte da natureza do homem. Na verdade, o homem tem uma
natureza neutra, portanto não é competitivo ou cooperativo em sua
essência! Essa foi uma das conclusões da antropóloga Margaret Mead. Em
suas pesquisas Margaret concluiu que o cooperativismo em uma sociedade, não
depende do ambiente físico, do desenvolvimento tecnológico ou do
suprimento real dos bens desejados. É a estrutura social que determina se
os membros dessa sociedade irão cooperar ou competir entre si. Daí a
importância e extrema urgência em levar às nossas crianças e jovens,
valores positivos para uma transformação efetiva de nossa sociedade.
Atualmente, a
escola é o local onde se aprende cada vez mais sobre o universo físico, e
muito pouco sobre o mundo interior e subjetivo. O relatório eleborado pela
Comissão Internacional para Educação, mais comumente conhecido como
Relatório Delors, intitulado "A Educação contém um tesouro",
destaca a dificuldade que muitos professores enfrentam em continuar sendo
também educadores, em face da grande quantidade de conhecimentos que devem
transmitir aos alunos. Freqüentemente surgem situações em que a escola,
tendo que ensinar cada vez mais e mais, acaba por educar menos e menos.
Lida-se muito com informação em detrimento da formação do indivíduo. Os
jovens envoltos em trocas contínuas, tanto de seu corpo físico quanto da
quantidade de informações e mudanças ultrasônicas do mundo moderno,
terminam absorvidos pelo fluxo de atividades e responsabilidades dentro e
fora de sala de aula, principalmente nas camadas mais pobres, onde,
inicia-se a chamada luta pela sobrevivência muito cedo, e com isso a
formação de valores fica prejudicada. A escola, muitas vezes sem perceber,
tem reforçado demasiadamente valores como: ser o melhor, colocar o foco no
resultado e não no processo e na qualidade, objetivar a derrota do oponente
ao invés da melhora da performance, reforçando assim, atitudes e posturas
competitivas, as quais poderão reproduzir na vida adulta, através de
rivalidade, exploração de seus semelhantes, pouca ou nenhuma
solidariedade, exclusão, violência, destruição ambiental, e quando
educarem seus filhos são os valores que aprenderam que irão transmitir.
Terry Orlick*,
coloca: "Dar uma contribuição ou fazer alguma coisa bem, simplesmente
não exige a derrota ou a depreciação de outra pessoa. Pode-se ser
extremamente competente, tanto física como psicologicamente, sem jamais se
prejudicar ou conquistar o outro. Muitas pessoas ainda acreditam que para
"vencer" ou "ter sucesso", é preciso ser um feroz
competidor e quebrar as regras. Muitas pessoas parecem achar que para
ensinar as crianças a viver e prosperar na sociedade é necessário
prepará-las para serem competitivas e tirar vantagens dos outros, antes que
os outros o façam."
É comum
ouvir-se defender a competição como um elemento importante na educação
das crianças, sob o pretexto de que assim ficariam melhor preparadas para
viverem num mundo competitivo como o nosso. Esse mito foi derrubado pela
pesquisa sobre o aprendizado cooperativo, pois na verdade a competição
diminui a auto-estima e aumenta o medo de falhar, reduzindo a expressão de
capacidades e o desenvolvimento da criança. Ela promove a comparação
entre as pessoas e acaba por favorecer a exclusão baseada em poucos
critérios. Um ambiente competitivo aumenta a tensão e a frustração e
pode desencadear comportamentos agressivos. Com relação ao desempenho
acadêmico, uma série de estudos demonstram que crianças de várias
classes sócio-econômicas tem maior sucesso em áreas como matemática,
desenvolvimento vocacional e leitura quando estão trabalhando junto com
seus colegas sob uma estrutura de objetivos cooperativos em vez de
individualistas ou competitivos.
"A
Cooperação é a força unificadora mais positiva que agrupa uma variedade
de indivíduos com interesses separados numa sociedade coletiva."
Haratmann
A UNESCO
coloca alguns Valores essenciais para a paz e uma convivência ecológica
entre as pessoas: Respeitar a vida, Rejeitar a violência, Ser generoso,
Escutar para compreender, Preservar o planeta, Redescobrir a solidariedade.
Esses e outros valores como: união, amor, cooperação, bondade, paz,
responsabilidade, organização, inclusão, ética, são trabalhados
através dos jogos cooperativos e da Pedagogia da Cooperação.
Muitos dos
desequilíbrios presentes na nossa sociedade decorrem de uma percepção de
separação e não inter-dependência face ao exterior. Através do sistema
educativo, os jovens interiorizam a separação entre o mundo humano e o
mundo natural. O afastamento face ao que nos rodeia estende-se à relação
com o outro, em virtude da extrema valorização do individualismo, que
conduz ao exacerbar da competição para alcançar o sucesso no mercado de
trabalho. Este caminho conduziu-nos à beira de um abismo. O objetivo de
cada um obter o máximo lucro/bens materiais a curto prazo, está a levar a
um desequilíbrio ecológico de proporções planetárias. Apesar de tanto
valorizarmos a razão, continuamos a trilhar um percurso de irracionalidade,
comprometendo a nossa permanência no planeta.
Os Jogos Cooperativos, ao
promoverem um tipo de relação com o outro baseado na capacidade de
cooperar, poderão constituir um valioso instrumento na formação do
cidadão. Em lugar de um modelo de atuação em que o indivíduo está em
competição com o mundo, ajuda a desenvolver uma relação com o exterior
baseada no respeito e no agir com o
Pré...conceitos
sobre Jogos Cooperativos
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 7 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
Existem
algumas idéias pré...concebidas que envolvem os Jogos Cooperativos.
Conversando com pessoas que pouco conhecem dos Jogos Cooperativos podemos
destacar várias idéias com pouca ou nenhuma correspondência com a
realidade e que envolvem os Jogos Cooperativos, criando barreiras para que
se esteja aberto a conhecer um pouco mais sobre eles e perceber sua
profundidade. Por essa razão, os chamamos aqui de PRÉ...CONCEITOS, ou
seja, conceitos ou opiniões concebidas préviamente sem embasamento,
levando em conta apenas uma visão parcial ou superficial do tema.Vamos
falar sobre alguns dos mais comuns que normalmente encontramos no dia a
dia...
Sem
competição fica sem graça!
Tema muito
comum e fácilmente derrubado com a experimentação de alguns jogos, pois
os Jogos Cooperativos são desafiantes, envolventes, energizantes e quem os
joga pode perceber bem. Na verdade, percebemos que o real grande desafio, é
o da convivência e da tolerância, tornando o jogo possível para todos.
Só serve
para criança.
Esse é outro
pré...conceito, pois até Guillermo Brown, relatou em sua entrevista
(edição 7, pg. 7) que por serem jogos, pensou só funcionarem com
crianças e depois percebeu e comprovou na prática que os mesmos jogos
poderiam servir para qualquer idade e qualquer público. Claro que existem
alguns jogos que são mais voltados para determinada faixa etária, mas em
sua maioria podem ser usados com qualquer idade. O que muda é a abordagem
feita antes e depois do jogo, e por isso o focalizador precisa ser uma
pessoa experiente com aquele tipo de público para poder extrair do jogo o
que ele tem de melhor.
Adulto
não gosta de brincar!
Esse
pré...conceito é muito usado por organizações. Geralmente percebe-se uma
grande preocupação do contratante com o envolvimento do grupo,
questionando quanto aos resultados deste tipo de trabalho, principalmente
quando são em sua maioria homens... mas na verdade o que se nota, nestes
casos, é a dificuldade em convencê-los a parar de jogar, tamanha a
carência que estas pessoas sentem em manifestar sua criança interior,
abafada pelo normalmente sisudo e pesado ambiente organizacional.
O brincar faz
parte do ser humano e já está mais que comprovado que o riso e a diversão
podem melhorar seu QE (Quociente Emocional). Moreno, na teoria do Psicodrama,
ressalta a extrema importância da espontaneidade, que vamos perdendo a
medida que crescemos. Para podermos estar flexíveis e criativos, qualidades
imprescindíveis hoje nas organizações, precisamos resgatar a
espontaneidade perdida, a capacidade de rir e se divertir. Maria Rita
Gramigna, aborda com propriedade esse assunto na edição 6 pgs 7, 8 e 9. Ao
jogarmos, estamos mais inteiros e podemos nos expressar livremente como
verdadeiramente somos. Como diz Maria Rita: "Quando adotamos atitudes
infantis conseguimos ir à nossa essência e transcender o mito realístico
do adulto." Vivenciando situações no jogo podemos entrar em contato
com sensações, impressões e obter insights interessantes que auxiliam
nossa postura e conduta no dia a dia e no trabalho.
Só é
aplicável em aula de Educação Física
Realmente os
Jogos Cooperativos encontraram na Educação Física, solo fértil para seu
desenvolvimento, por ser a disciplina que trabalha o corpo e o lúdico.
Atualmente eles são utilizados tanto em aulas de português e matemática
como em treinamentos empresariais, trabalhos comunitários, transformação
de grupos, etc...
Só serve
para o pessoal que trabalha com recreação e lazer
Nessa área
vemos uma difusão muito maior dos Jogos Cooperativos do que na Educação
Física escolar, por exemplo. Talvez num primeiro momento, quando analisado
superficialmente, os Jogos Cooperativos sejam vistos como apenas divertidos
e interessante e como não tem um único vencedor, entendidos como
brincadeira sem grande profundidade, mas isto é falso. Quando jogamos
cooperativamente podemos internalizar valores essenciais ao ser humano e ao
trabalho em equipe, aprender a viver melhor em sociedade agregando qualidade
ao processo de convivência, e tantos outros benefícios.
Só
funciona com grandes grupos
Funciona com
todo tipo de grupo. Muitos jogos são para grupos de 15 a 40 pessoas e temos
jogos para 100, 200 ou mais pessoas, assim como, podemos usar outros tipos
de jogos como os de tabuleiro por exemplo que trabalham com 2, 3 ou 4
pessoas.
Procura
acabar com qualquer tipo de competição
Esse é muito
forte principalmente entre os profissionais de Ed. Física. Recentemente
recebemos um feed back de um coordenador que utilizou o texto e a tabela
(desta coluna) de nossa primeira edição com seus professores gerando
grande polêmica, pois estes sentiram-se agredidos, acreditando que nos
Jogos Cooperativos pregamos que competir é feio. Terry Orlick fala sobre a
Co-opetição onde se esta empenhado em melhorar a performance e não
destruir o adversário. (Na Edição 5 Inês Cozzo Olivares, pg 5,6 - aborda
este tema). Existem os Jogos Semicooperativos, os Jogos de Inversão que
também lidam com a Cooperação, dentro de um esquema competitivo (ver
edição 2 – pg 4). Estes jogos são muito interessantes para equipes de
rendimento, Ed. Física escolar, adolescentes, entre outros...
Não serve
para treinamento de equipes de competição
Outro pré...conceito!
Segundo o Prof. João Batista Freire "Um dos fundamentos mais
importantes do jogo de equipe é o passe, que necessita de extrema
Cooperação. O time que tem mais Cooperação é o que superará o
desempenho do adversário. O maior desafio de treinadores de times coletivos
é ensinar a passar. Por isso em todo jogo competitivo vamos encontrar
Cooperação. É mais fácil encontrar Cooperação em jogos competitivos do
que a competição em Jogos Cooperativos."
A
Cooperação permeando as Cinco disciplinas nas Organizações
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 8 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
O mundo está
a cada dia mais interligado e os negócios mais complexos e dinâmicos. Uma
organização hoje, necessita ter grande capacidade de adaptação à
velocidade das mudanças do mundo, e para isso, é necessário que deixem de
lado a cultura do controle e da obediência a padrões pré- estabelecidos
para cada vez mais voltarem-se a uma dinâmica de aprendizagem e mudança.
Peter Senge, Diretor do Centro de Aprendizagem Organizacional do
"Massachusetts Institute of Tecnology" – MIT, escreveu o livro
"A Quinta Disciplina" no qual apresenta a necessidade das
organizações, cada dia mais se transformarem em organizações que
aprendem para poderem crescer e sobreviver no mercado.
Senge
acredita que cinco disciplinas mostram-se essenciais para a construção da
Organização que aprende:
Domínio
Pessoal: Através do auto-conhecimento as pessoas aprendem a
clarificar e aprofundar seus próprios objetivos, a concentrar esforços e a
ver a realidade de forma objetiva.
Modelos
Mentais: São idéias profundamente enraizadas, generalizações e
mesmo imagens que influenciam o modo como as pessoas vêem o mundo e as suas
atitudes.
Visões
Partilhadas: Quando um objetivo é percebido como concreto e
legítimo, as pessoas aprendem não como uma obrigação, mas por vontade
própria, construindo visões partilhadas. Muitos líderes têm objetivos
pessoais que nunca chegam a ser partilhados pela organização como um todo.
Esta, funciona muito mais devido ao carisma do líder ou às crises que unem
a todos temporariamente.
Aprendizagem
em Grupo: Em grupos nos quais as habilidades coletivas são maiores
do que as individuais se desenvolve a capacidade para a ação coordenada. A
aprendizagem em grupo começa com o diálogo; em outras palavras, começa
com a capacidade dos membros do grupo para propor suas idéias e participar
da elaboração de uma lógica comum.
Pensamento
Sistêmico: Constitui um modelo conceitual, composto por
conhecimentos e instrumentos, desenvolvidos ao longo dos últimos 50 anos,
que visam melhorar o processo de aprendizagem como um todo e apontar as
futuras direções para o aperfeiçoamento.
Senge(1990)
focou inicialmente o indivíduo, seu processo de autoconhecimento, de
clarificação de seus objetivos e processos pessoais. Em seguida, seu foco
deslocou-se para o grupo e, finalmente, através do raciocínio sistêmico,
para a organização. O pensamento sistêmico constitui a quinta disciplina,
integrando as demais, em um conjunto coerente de teoria e prática, o que
evita a visão isolada de cada uma delas.
Utilizando a
idéia de modelos mentais de Senge, considerando que na atualidade o
processo de aprendizagem organizacional mostra-se fundamental para as
organizações, as pessoas são estimuladas constantemente a estar
desenvolvendo-se e adquirindo novos conhecimentos para melhorar suas
competências, o que é ótimo, pois esta é uma necessidade do ser humano.
As pessoas porém, tem bloqueios e inibições, e precisam de ajuda nesse
desenvolvimento, surgindo o treinamento para auxiliar nesse processo.
Mas como
fazer isso de forma ecológica, eficaz e prática?
1. É
importante que a aprendizagem seja divertida!
O ser humano
nasce motivado a aprender, explorar o mundo e a beneficiar-se disso. Quando
crianças, aprendemos jogando e explorando o mundo ao redor, o que é
fundamental para um desenvolvimento normal, pois durante os sete primeiros
anos de vida a personalidade básica do ser humano é estruturada e se
formam a maioria das conexões ou sinapses cerebrais.
Nas
organizações ainda hoje, muitas vezes confunde-se um profissional sério e
responsável com uma postura sisuda e rígida. Essa postura
"sisuda", atrapalha um bom QE (Quociente Emocional) pois as
emoções negativas e/ou reprimidas tem o poder de perturbar o pensamento,
criando uma "estática neural" e sabotando a capacidade do lobo
pré-frontal de manter a memória funcional. Portanto, pessoas perturbadas
emocionalmente criam deficiências nas aptidões intelectuais.
Quando o
homem ri e se diverte, se liberta dos bloqueios, da seriedade paralisante,
da rigidez, liberando a consciência, as emoções, o pensamento e a
imaginação, que ficam disponíveis para novas possibilidades.
Hipócrates
– considerado pai da Medicina, foi o fundador da teoria dos Humores e era
um teórico do riso. A doutrina da virtude curativa do riso aparece em seus
tratados.
Segundo
Morgana Massotti, psicóloga e pesquisadora da "ciência do riso"
e seus efeitos sobre a saúde, "o humor permite ao individuo explorar
fatos que por obstáculos pessoais, não poderiam se revelar de forma aberta
e consciente, o que permite a liberação da energia investida no problema,
que então pode ser utilizada em outros pontos importantes, como por exemplo
na busca de soluções. O funcionamento dos processos humorísticos é
análogo aos mecanismos presentes nos sonhos, e serve de instrumento
importante para lidar com conflitos e manutenção do equilíbrio físico e
mental." Quando estamos livres para ver as coisas de forma diferente
trabalha-se com mudança de perspectiva da realidade podendo assim
transformar essa realidade e aprender com ela. Por tudo isso, os educadores
modernos enfatizam mecanismos que desenvolvam e proporcionem estados de
harmonia mental, alegria e diversão, promovendo o prazer de aprender
utilizando brincadeiras, jogos, dramatizações, simulações, casos,
trabalhos de equipe, vivências, artes plásticas e filmes, entre outros
instrumentos que enriquecem a aprendizagem tornando-a mais prazerosa,
favorecendo o aprendizado e a fixação do conteúdo, assim como a
auto-estima dos treinandos.
2.
Simulando para aprender
Segundo Winnicott, as brincadeiras, os jogos, a arte e a prática religiosa tendem,
por diversos mas aliados métodos, para uma unificação e integração
geral da personalidade. As brincadeiras servem de elo entre a relação do
individuo com a realidade interior e por outro lado, a relação do
individuo com a realidade externa ou compartilhada.
Maria Helena
Matarazzo coloca, que existem dois tipos de ensinamentos: os Ensinamentos da
Escola e os Ensinamentos da Vida, sendo que estes últimos são os mais
importantes porque é onde praticamos e realmente aprendemos.
Nosso
cérebro aprende por ensaio, repetição e velocidade, portanto ensaiar e
simular faz parte da aprendizagem. Segundo a PNL (Programação
Neurolingüistica) para aprender efetivamente algo é preciso ver, ouvir e
sentir e com isso mais uma vez a simulação torna-se importante pois o
cérebro não distingue o real do virtual.
Quando
simulamos temos a oportunidade de vivenciar determinadas experiências
obtendo insights que certamente irão auxiliar na aprendizagem e torná-la
mais efetiva. Quando simulamos, os bloqueios desaparecem e ficamos mais
livres para sermos quem realmente somos atuando como parceiros e não como
concorrentes.
3. Levando
em conta a bagagem
No passado, o
professor era o detentor do saber e o aluno como uma xícara vazia onde o
mestre depositaria algumas gotas de sua sapiência. A própria palavra aluno
significa sem luz (a = não + luno que vem de lumini = luz).
Hoje sabemos
que todos trazem uma bagagem consigo independente de idade, sexo, origem,
escolaridade, etc...todos somos mestres-aprendizes. Principalmente quando
lidamos com adultos, é essencial que essa bagagem seja respeitada pois é
com ela que o grupo ou a organização vai construir sua personalidade e seu
conhecimento.
4.
Aprender é um ato social
O homem é um
ser social. Já disse Jung: "Nenhum homem é uma ilha, fechado em si
mesmo, mas sim um continente, uma parcela da terra principal".
Precisamos interagir e trocar, por isso, a melhor forma de aprendizagem é a
que implica na interação. Aprender é eminentemente um ato de
socialização, não é uma postura individualista, mas organizacional.
Através da troca de idéias e informações onde as pessoas estão no mesmo
nível, elas entram em contato com outros pontos de vista e diferentes
percepções do tema, podendo assim crescer e chegar a melhores idéias,
assim como procuram entender o ponto de vista de outras pessoas, o que
estreita laços e amplia a possibilidade de relações de maior confiança.
Esse tipo de aprendizagem oferece aos participantes a oportunidade de
ampliar sua visão além dos limites da perspectiva pessoal, canalizando o
potencial das mentes envolvidas para que a inteligência do conjunto seja
maior que a individual.
5. Os
Jogos Cooperativos nas organizações
Os Jogos
Cooperativos podem auxiliar no desenvolvimento das 5 disciplinas
necessárias para uma organização que aprende e contemplam todo esse
contexto importante para melhores resultados em treinamentos
comportamentais, pois quando jogamos e superamos desafios em grupo estamos
além de aprendermos juntos, exercitando a cooperação e melhorando tanto
nosso QI quanto nosso QE. Segundo Piaget "O trabalho em grupo é a
forma mais interessante para promover a cooperação, é fator fundamental
para a progressão intelectual". Nos Jogos Cooperativos ocorre a união
da cooperação e da autonomia, pois o grupo tem consciência das regras e
consciência da razão de ser dessas regras e a partir disto vai buscar
vencer o desafio comum, superando-se o desafio e não alguém, utilizando
todos os recursos existentes no grupo que ajudem nessa tarefa. Com isso,
além da aprendizagem em grupo e do exercício da Cooperação, cada membro
tem a oportunidade de trabalhar o domínio pessoal, ou seja, a maestria
pessoal, encarando seus colegas como aliados e utilizando suas competências
da melhor forma possível em busca da excelência e do objetivo comum.
Muitas vezes,
manter o compromisso com a equipe e o entusiasmo com os objetivos não é
uma tarefa fácil. Nas organizações, muitas pessoas começam empenhadas e
vibrantes mas desanimam quando surgem problemas ou frustrações,
principalmente quando sentem-se sozinhas e incapazes de desempenhar algo que
está sendo exigido sem ajuda e estímulo. Nesses momentos a Cooperação
tem papel fundamental no grupo, onde este individuo pode encontrar
motivação, e o grupo ajudará esse integrante a superar seus bloqueios e
continuar no jogo, pois a inclusão e o sucesso compartilhado fazem parte da
filosofia da Cooperação.
Olhar para as
coisas de forma diferente também é muito importante nos Jogos
Cooperativos, onde desde o princípio os parâmetros são outros, o que
possibilita quem joga experimentar novas possibilidades e refletir sobre o
que é mais ecológico e interessante em termos de resultados para a equipe,
a organização, a sociedade e o meio ambiente. A medida que o grupo caminha
para a solução dos desafios, necessita da riqueza da diversidade na equipe
para analisar o cenário, questionar, abstrair e encontrar estratégias que
solucionem o problema testando as várias hipóteses que surgem da troca
entre os participantes.
Nos Jogos
Cooperativos pode-se exercitar também o lidar com situações difíceis,
através da simulação que proporciona aprendizagem e mudança profunda com
risco controlado, de forma divertida e prazerosa na maior parte das vezes.
No CAV (Ciclo de Aprendizagem
Vivencial) ou seja, na análise do jogo, vamos trabalhando o raciocínio
sistêmico, através das inter-relações que o grupo vai construindo,
podendo buscar uma visão global do trabalho e do tema de aprendizagem
(teoria) relacionando-o com a prática do jogo e do dia a dia. Esta visão
geral possibilita buscar soluções para problemas mais complexos do
trabalho e da organização através da mudança de mentalidade. Os Jogos
Cooperativos afetam e alteram a forma como a pessoa vê a si mesma e o mundo
e com isso pode alterar os resultados organizacionais pois a pessoa passa a
aprender e a mudar sua própria realidade visando o bem comum.
Para saber mais:
Senge, P. A Quinta
Disciplina: a Arte e a Prática da Organização que aprende. São
Paulo: Best Seler, 1998
Senge,P.; Kleiner,A.; Roberts,C.;
Ross,R.; Smith,B.;
A Quinta Disciplina -
Caderno de Campo: Estratégias e Ferramentas para construir a organização
que Aprende. Rio de Janeiro:
Qualitymark, 1997.
Massotti, M. Soluções
de Palhaços - Transformações na realidade Hospitalar - Ed. Palas Athena.
O
Jogo dos Autógrafos
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 9/10 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
Nesta
edição vamos mergulhar em um jogo que já se tornou um clássico quando o
assunto é sensibilização para a Cooperação. Vamos falar sobre o Jogo
dos Autógrafos.
Quem conhece
sabe bem o quanto esse jogo dá, como dizem, "pano pra manga"
tanto em sala discutindo com os participantes num CAV após o jogo, quanto
com facilitadores sobre como e com qual foco aplicar esse jogo.
Pesquisando
acerca de sua orígem soubemos que o Jogo foi adaptado por Fábio Brotto
(ver o jogo nesta versão na pg 19) da proposta apresentada por Celso
Antunes (ver pg 20) Segundo contato com Celso Antunes, ele nos contou que
utiliza esse jogo há mais de 40 anos e que possivelvente o leu em um
pequeno livro ou apostila de Silvino Fritizen.
Mas porque o Jogo dos Autógrafos é tão falado?
Encontram-se
muitas respostas para essa questão, de acordo com visões diferentes do
jogo. Apresentaremos algumas nesta edição que não tem a pretenção de
esgotar o assunto mas sim, verificar um pouco mais do que apenas relatar um
jogo tão profundo e rico que merece mais destaque do que apenas a seção
venha jogar. Desta forma o leitor poderá refletir, experimentar
alternativas diferentes e tirar suas próprias conclusões sobre o jogo.
Fábio Brotto em seu livro
"Jogos Cooperativos - Se o importante é competir, o fundamental é
Cooperar", coloca que no ínicio usava esse jogo para clarear os
motivos pelos quais as pessoas escolhem competir no lugar de cooperar e
auxiliá-las a descobrir alternativas para uma nova forma de abordar
conflitos e realizar metas grupais. Dentro dessa proposta foram
identificados de acordo com suas observações após centenas de
aplicações, 3 padrões de Percepção-ação". São eles a Omissão,
a Cooperação e a Competição (ver tabela na Revista Jogos
Cooperativos-Edição 06-pg04), que se manifestaram diante da necessidade de
jogar para alcançaruma meta comum ou solucionar um problema. Dessas três
visões resultam três formas de estar no mundo, se comportar e se
relacionar com as pessoas (Leia artigo na pg 10, com minha visão sobre o
tema). Embora tenhamos essas três possibilidades, a primeira resposta que
normalmente observa-se nos grupos é o comportamento competitivo, o que
torna o resultado alcançado muito inferiror ao resultado possível. Com
esse dado, o grupo é levado à reflexão e observação do que efetivamente
ajuda e atrapalha na obtenção de melhores resultados e a experimentar
novas possibilidades. Nota-se através do comportamento dos grupos que o
condicionamento para a competição está presente em nossa sociedade, mas
quando refletem e percebem que através da cooperação poderiam ter
melhores resultados com mais qualidade e que isso é uma questão de escolha
as pesssoas passam a olhar para o mundo de outra forma e sua ação também
passa a ser diferente.
Diversos autores relatam
sobre a importância de se experimentar algo para se chegar ao conhecimento.
Destacamos aqui uma fala de Celso Antunes, onde ele relata sobre a
necessidade de trabalhar-se com técnicas de sensibilização; "...os
valores essenciais da educação não se prestam a uma vivência quando
transmitidos através de discursos; porque o conhecimento e a compreensão
da realidade é mais facilmente alcançado pela vivência que pela
informação; mas sobretudo porque as técnicas de sensibilização
valorizam comportamentos e assunção de responsabilidades sociais, promovem
o aprimoramento da identificação do outro como indivíduo, através de
seus valores e não pelas eventuais embalagens que o revestem."
E esse é o ponto focal da
Pedagogia da Cooperação, que através do Jogo Cooperativo, leva a pessoa a
refletir, questionar e escolher o que é melhor para ela naquele momento.
Talvez o grupo escolha usar uma só folha, talvez as pessoas optem por
continuar cada um com a sua folha e melhorar suas marcas como relata
Carmello (pgs 14-15) mas seja lá como for, creio que o principal papel dos
Jogos Cooperativos é sensibilizar e criar esse momento de reflexão,
proporcionando com isso uma visão de mundo mais consciente, o que leva a
comportamentos mais inclusivos e um ser e estar no mundo mais qualitativo.
Leia, experimente... vivencie
profundamente esse jogo tão rico e suas várias possibilidades verificando
as dimensões que você pode alcançar através dele!
Se
você não se sente Carpa, Tubarão ou Golgfinho...
talvez você esteja vivendo o Salmão!
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 11/12 do ano I da Revista
Jogos Cooperativos.
As pessoas
têm comportamentos diversos, esses comportamentos geram mais comportamentos
e o mundo segue seu rumo...
Daí a
importância da consciência de nossas atitudes e das atitudes dos outros, a
fim de repensarmos e decidirmos o que convém ou não para nós e para nosso
mundo.
Cooperação
ou Competição, o que está escrito em meu sistema de Crenças?
No
Dicionário Aurélio a palavra competição consta como sinônimo de luta,
desafio, disputa, rivalidade. E a palavra Cooperação como comum,
colaboração, ajuda, auxílio.
Follett,
afirma que, ao competirmos, nossas paixões e interesses estão em conflito
com paixões e interesses do outro e o "poder-sobre" (se um ganha,
o outro perde; se um domina, o outro é dominado; se um se alegra, o outro
se entristece; etc.) passa a ser o meio de resolução destes conflitos.
Já, em um
processo de cooperação, essa relação muda. As paixões e interesses
podem até ser diferentes - e normalmente são - mas os conflitos gerados
por elas são construtivos (buscam a integração de diferenças), pois sua
base está, como cita Follett, no "poder-com": se um ganha, todos
ganham, pois este é o poder legítimo, o poder conjunto que traz
enriquecimento e progresso para a alma humana.
Para cooperar
é necessário um alto grau de convivência e de doação, assim como uma
boa relação consigo mesmo, o que é um desafio para a maior parte das
pessoas, sendo mais fácil colocar a necessidade de mudança no outro, e com
isso se omitir. Lannes (2001, p.31) coloca que durante toda a vida fomos
educados para encontrar alguém em quem colocar a culpa e relata como as
crianças aprendem desde muito cedo a se defender encontrando o culpado.
"... Não fui eu, não! Com essa frase, nossas crianças aprendem desde
pequenas a se defender de possíveis punições dos adultos, quando algo sai
errado. Esse comportamento não acontece, ao acaso, mas sim, uma semente
plantada em seu modo de vida, que transmite a cultura de nossa sociedade:
Ache sempre um culpado quando as coisas saírem erradas. A pergunta chave
que dispara o comportamento é: "Quem foi que..."Por vezes
tentamos ser mais suaves e dizemos: "Eu não vou bater, pode falar quem
foi..."E assim vamos crescendo, até que ingressamos em alguma
organização estruturada, seja ela com ou sem fins lucrativos, seja uma
fábrica de foguetes, seja uma empresa de gestão do conhecimento e
tecnologia, seja uma organização não-governamental de preservação
ambiental. Logo nos deparamos com a necessidade de trabalharmos como um
time, de maneira afinada. Mas como podemos trabalhar como um time, se nossa
primeira preocupação é garantir o nosso lado, sem sermos
punidos?..."
Como
trabalhar em conjunto sem querer ganhar do outro a todo custo? Como podemos
nos desenvolver enquanto equipe quando o foco está em competir?
A
competição dificulta as relações, gerando um clima de medo,
dependência, rivalidade, desconfiança e estresse; criando barreiras entre
as pessoas.
Quando se tem
a consciência deste contexto e dos efeitos de ambas as polaridades,
Competir ou Cooperar passa a ser uma questão de escolha pessoal. Muitas
pessoas desejam de fato cooperar, mas dentro de si tem muitas inibições,
barreiras, emoções negativas e terminam voltando ao modelo competitivo.
Nesse
contexto percebe-se três pontos mais marcantes:
1. A
competição é muito forte em nossa sociedade, sendo reforçada a cada
instante como natural e único caminho;
2. Quando a
pessoa busca um caminho diferente é estimulada, direta e indiretamente a
seguir com a maioria e precisa de uma força muito grande para insistir em
um caminho alternativo.
3. O
condicionamento para a competição está de tal forma instalado dentro do
ser humano que quando ele percebe (se é que percebe), já foi.
A questão do
condicionamento está ligada ao nosso sistema de crenças e valores e este
sistema rege o comportamento humano.
Verificar
quais as crenças que nos norteiam, ou seja, que tipo de programação
existe dentro da pessoa é fundamental para qualquer realização e
mudanças que se deseje.
Dudley Lynch
e Paul Kordis do Brain Technologies Institute, criaram a Metáfora do
Golfinho, da Carpa e do Tubarão, que demonstra três padrões básicos de
funcionamento no mundo e o porque disto, ou seja, três tipos básicos de
crenças que costumam estar presentes nas pessoas e por trás de suas
atitudes. Vejamos quais seriam esses padrões através desta metáfora...
"Existem
três tipos de animais: as carpas, os tubarões e os golfinhos. A carpa é
dócil, passiva e quando agredida não se afasta nem revida. Ela não luta
mesmo quando provocada. Considera-se uma vítima, conformada com seu
destino. Alguém tem que se sacrificar, a carpa se sacrifica. Ela se
sacrifica porque acredita que há escassez. Nesse caso, para parar de sofrer
ela se sacrifica. Carpas são aquelas pessoas que numa negociação sempre
cedem, sempre são os que recuam; em crises, se sacrificam por
não querer ver outros se sacrificarem. Jogam o perde-ganha, perdem
para que o outro possa ganhar. Declaração que a carpa faz para si mesma
: "Sou uma carpa e acredito na escassez. Em virtude dessa
crença, não espero jamais fazer ou ter o suficiente. Assim, se não posso
escapar do aprendizado e da responsabilidade permanecendo longe deles, eu
geralmente me sacrifico."
Nesse mar
existe outro tipo de animal: o tubarão.
O tubarão é agressivo por natureza, agride mesmo quando não provocado.
Ele também crê que vai faltar. Tem mais, ele acredita que, já que vai
faltar, que falte para outro, não para ele! "Eu vou tomar de
alguém!" O tubarão passa o tempo todo buscando vítimas para devorar
porque ele acredita que podem faltar vítimas. Que vítimas são as
preferidas dos tubarões?
Acertou, as carpas.Tanto o tubarão como a carpa, acabam viciados nos seus
sistemas. Costumam agir de forma automática e irresistível. Os tubarões
jogam o ganha-perde, eles tem que ganhar sempre, não se importando que o
outro perca. Declaração que o tubarão faz para si mesmo: "Sou um
tubarão e acredito na escassez. Em razão dessa crença, procuro obter o
máximo que posso, sem nenhuma consideração pelos outros. Primeiro, tento
vencê-los; se não consigo, procuro juntar-me a eles."
O terceiro
tipo de animal: o golfinho.
Os golfinhos são dóceis por natureza. Agora, quando atacados revidam e se
um grupo de golfinhos encontra uma carpa sendo atacada eles defendem a carpa
e atacam os seus agressores. Os "Verdadeiros" golfinhos são
algumas das criaturas mais apreciadas das profundezas. Podemos suspeitar que
eles sejam muito inteligentes - talvez, à sua própria maneira, mais
inteligente do que o Homo Sapiens. Seus cérebros, com certeza, são
suficientemente grandes - cerca de 1,5 quilograma, um pouco maiores do que o
cérebro humano médio – e o córtex associativo do golfinho, a parte do
cérebro especializada no pensamento abstrato e conceitual, é maior do que
o nosso. E é um cérebro, como rapidamente irão observar aqueles
fervorosos entusiastas dedicados a fortalecer os vínculos entre a
nossa espécie e a deles, que tem sido tão grande quanto o nosso, ou maior
do que o nosso, durante pelo menos 30 milhões de anos. O comportamento dos
golfinhos em volta dos tubarões é legendário e, provavelmente, eles
fizeram por merecer essa fama.
Usando sua
inteligência e sua astúcia, eles podem ser mortais para os tubarões.
Matá-los a mordidas? Oh, não! Os golfinhos nadam em torno e martelam,
nadam e martelam. Usando seus focinhos bulbosos como clavas, eles esmagam
metodicamente a "caixa torácica" do tubarão até que a mortal
criatura deslize impotente para o fundo. Todavia, mais do que por sua
perícia no combate ao tubarão, escolhemos o golfinho para simbolizar as
nossas idéias sobre como tomar decisões e como lidar com épocas de
rápidas mudanças devido às habilidades naturais desse mamífero para
pensar construtiva e criativamente. Os golfinhos pensam? Sem dúvida. Quando
não conseguem o que querem, eles alteram os seus comportamentos com
precisão e rapidez, algumas vezes de forma engenhosa, para buscar aquilo
que desejam. Golfinhos procuram sempre o equilíbrio, jogam o
ganha-ganha, procuram sempre encontrar soluções que atendam as
necessidades de todos.
Declaração que o golfinho faz para si mesmo:
"Sou um
golfinho e acredito na escassez e na abundância potenciais. Assim como
acredito que posso ter qualquer uma dessas duas coisas – é esta a nossa
escolha - e que podemos aprender a tirar o melhor proveito de nossa força e
utilizar nossos recursos de um modo elegante, os elementos fundamentais do
modo como crio o meu mundo são a flexibilidade e a capacidade de fazer mais
com menos recursos".
Partindo
desta metáfora, podemos perceber o mundo com a crença da carpa, do
tubarão ou do golfinho e com isso escolher quais atitudes teremos na vida.
Quando as pessoas estão em grupo percebe-se, três comportamentos básicos
atuando: Omissão, Competição e Cooperação. Analisando estas atitudes,
podemos perceber quais as crenças que estão por trás delas
impulsionando-as a existir. Na omissão, percebe-se a crença da carpa a
qual leva ao perde-perde, ou seja, a pessoa aliena-se, conforma-se ou está
indiferente ao processo do grupo e todos inclusive ela perde com isso,
quando está funcionando o Tubarão a direção é para a competição
chegando ao ganha-perde - apenas um lado ganha; e no golfinho a
Cooperação, onde ocorre o ganha-ganha, os dois lados conseguem satisfazer
suas necessidades da melhor maneira possível para ambos.
É notório
que as pessoas normalmente assumam atitudes diferentes dependendo do
contexto e ambiente em que estão naquele momento, devido aos diversos
papeis que assumem em suas vidas, mas por mais diferentes que possam ser
essas atitudes, nota-se que existe um padrão que as rege, independente do
papel que a pessoa assuma naquele momento.
Este padrão
interno sobrepõe-se a tudo e rege as atitudes básicas de uma pessoa. A
esse padrão a PNL denominou sistema de crenças e valores (Dilt’s, Halbon
e Smith). O comportamento humano está intrinsecamente ligado a este
sistema, que pode ser comparado com as raízes, se compararmos o ser humano
a uma planta. Esse sistema, como as raízes, formam-se e crescem durante
anos, sendo solidificado e reforçado a partir das vivências e estímulos
recebidos do mundo externo. Ele determina, quais comportamentos a pessoa
terá, sendo que esses comportamentos mudarão a partir do momento que esse
sistema também mudar. Mesmo que em alguns momentos uma pessoa possa parecer
ter assumido um comportamento diferente, se seu sistema de crenças e
valores não modificar-se juntamente com eles, aquele não será o seu
"padrão de funcionamento", não é seu "modus operandi"
real. Para a pessoa agir de modo diferente, sem ter mudado internamente suas
crenças, ela necessita vestir máscaras, ou seja, utilizar-se de
"artifícios" para mostrar algo que de fato não tem para dar
naquele momento, mas precisa aparentar devido a uma solicitação externa de
algum tipo, que mobiliza nela essa necessidade. Isto pode funcionar por
algum tempo, mas não todo o tempo, pois gera um estado neurótico e grande
dualidade dentro da pessoa. Esse mecanismo necessita de muita energia
psíquica para ser mantido, gerando grande exaustão, estresse e até
futuramente uma psicose para que o sistema continue funcionando.
C.G.Jung,
coloca que "O desacordo consigo mesmo produz o estado neurótico, a
libertação deste estado só sobreviverá quando se puder existir e agir em
conformidade com aquilo que é sentido como sendo a própria e verdadeira
natureza". Esta visão se sintoniza com a visão de Jacob Levi Moreno
quando descreve o conceito da Espontaneidade. "Quanto mais espontâneo,
verdadeiro, coerente com seu interno o homem agir, mais saudável ele
será". Portanto, é de vital importância que cada pessoa busque
dentro de si suas crenças verdadeiras, aquelas que estão funcionando neste
momento e a partir daí verificar se elas estão de acordo com os valores
que se deseja cultivar na vida, e se convém mantê-las ou modifica-las.
Se a opção
for modificar, é importante salientar que uma decisão racional não é o
bastante, mas é o primeiro passo; como diz Humberto Maturana, "Cada
movimento está sendo inibido à medida que ocorre" daí o valor da
consciência do estado atual e das opções que estão à disposição. Uma
mudança de atitude está extremamente vinculada a uma mudança de
percepção, quando a pessoa percebe o mundo ao seu redor de uma forma
diferente, tem a oportunidade de agir de forma diferente também, isso a
leva a experimentar novas possibilidades, obtendo respostas novas do meio.
Essas novas respostas podem ser mais satisfatórias e mais compensadoras que
as antigas o que vai trazendo à pessoa uma forte necessidade de mudar de
fato, a fim de continuar recebendo aquele tipo de resposta mais
satisfatória. Portanto para uma pessoa mudar de fato, ela precisa
comprometer-se com a questão e desejar muito, pois mudanças desta natureza
pedem cuidado constante.
Vivenciando
os Jogos Cooperativos, pode-se sentir essa diferença e analisar qual
situação é mais compensadora, qual postura é mais interessante,
tornando-se consciente do fato e optando-se por uma direção. As pessoas
buscam seu bem estar a todo momento, mesmo quando estão proporcionando o
bem estar ao outro. Dalai Lama coloca: "não podemos mais invocar as
barreiras nacionais, raciais ou ideológicas que nos separam, sem
repercusões destrutivas. Dentro do contexto de nossa nova
interdependência, coonsiderar os interesses dos outros é claramente a
melhor forma de auto-interesse."
Após tomada
a consciência e tendo sentido a dimensão da necessidade da mudança
optando por ela, é preciso esforço e muita coragem para empreender uma
mudança profunda, como diz Peter Senge. Ele, utiliza o termo "mudança
profunda" para descrever uma mudança que combina alterações internas
nos valores, aspirações e comportamentos das pessoas juntamente a
alterações "externas" nos processos, estratégias e práticas...
"numa mudança profunda, ocorreu aprendizagem". Portanto, esta
mudança profunda, vai muito além das atitudes e do ambiente. Não basta
cortar o cabelo ou comprar uma roupa nova. Ela implica em limpar, cortar e
replantar "raízes" internas, que cresceram durante anos numa
direção muitas vezes oposta à qual deseja-se seguir neste momento. Este
caminho pede determinação, perseverança, paciência e amor. Neste trilhar
em busca de mudanças profundas, as pessoas passam por muitas etapas, sendo
que algumas delas pode assemelhar-se à vida de um Salmão do Atlântico.
Se você não
se sente carpa, tubarão ou golfinho...
Talvez, você
esteja vivendo o Salmão!
O Salmão do
Atlântico nasce nos pequenos riachos, calmos e límpidos. Após nascer se
alimenta por um bom tempo da reserva (gema) que havia no ovo. Já um
peixinho formado com 2 ou 3 cm, se alimenta de pequenos seres do leito do
rio ao lado de muitos peixinhos como ele.
É assim
também com o ser humano, que nasce e vive dependente das reservas que os
outros fornecem. São durante certo tempo incapazes de buscar ou lutar pela
vida.
Neste
período, vão experimentando o mundo e assimilando a cultura ao seu redor,
e com isso, formatam o sistema de crenças e valores que os vai guiar na
vida.
O peixinho
vai crescendo e vão surgindo manchas em seu corpo. Sua personalidade é
agressiva e ele necessita auto-afirmar-se mostrando e impondo a sua força
para os outros peixes de sua idade. Passa a maior parte do tempo sozinho em
SEU território, o qual é bem demarcado e se invadido, é defendido com
muita agressividade.
À medida que
o ser humano vai se desenvolvendo dentro da estrutura social do ocidente,
costuma assumir uma personalidade adolescente muito semelhante a do salmão
adolescente. Quando está em grupo busca a auto afirmação, sendo que
muitas vezes de forma agressiva. Na verdade, a agressividade, geralmente faz
parte de seu dia a dia. Por ter uma energia de libido intensa e dificuldade
para canaliza-la, a mesma escapa em determinados momentos como atitudes e
comportamentos agressivos. Por vezes, essa necessidade é satisfeita de
forma mais estilizada ou "politicamente" correta, na sintonia do
ganha-perde, reforçando a crença da competição; esta ocupa grande parte
de sua vida seja na escola, por popularidade, por sedução, por carinho e
atenção, e isto pode ser feito baseando-se em princípios construtivos ou
destrutivos, o que depende de seu sistema de crenças e valores. Muitas
vezes nesta fase da vida, repetem-se comportamentos aceitos socialmente e
inclusive reforçados pela sociedade, de atitudes competitivas de Tubarão
baseadas na destruição, na falta, na "lei de Gerson", que o leva
mais e mais a novas atitudes competitivas e com isso recebendo-as em troca
(comportamento gera comportamento) enxergando e acreditando que o mundo
funciona assim e que ele necessita ser assim também, se deseja viver neste
mundo.
O Salmão
nada sempre em frente, vivendo em rios cada vez maiores e com isso estando
cada vez mais distante dos seus semelhantes. Esse nadar sempre adiante é um
impulso inconsciente que o leva cada vez mais próximo do oceano.
A medida que
vai amadurecendo, É comum, o ser humano, desejar seguir sempre em frente,
buscando novos horizontes, "evoluir", crescer, "chegar
lá", "ser alguém na vida". Se esse desejo estiver baseado
na crença de que outros precisam perder para ele conseguir vencer seus
desafios, tenderá a se afastar cada vez mais de seus semelhantes, encarando
seus companheiros de trabalho, amigos e até familiares como concorrentes e
obstáculos a serem vencidos, com isso omitindo-se ou cedendo como a carpa
ou agindo como o Tubarão dilacerando as vítimas para poder vencer e chegar
mais "longe". Nesse contexto muitas vezes esse "longe" o
leva para tão distante dos outros e de si mesmo que só lhe resta caminhar
mais e mais para longe dos outros e de si, a fim de alcançar algo que nem
ele, muitas vezes, sabe mais o que é.
À medida que
o Salmão vai adentrando o oceano, seu organismo começa a mudar
internamente de forma radical, sofrendo grandes transformações para se
adaptar a água salgada. Se essas transformações ocorressem com um ser
humano, seria como se uma pessoa mudasse o organismo e em vez de respirar
oxigênio (O2) passasse a respirar gás carbônico (CO2). Externamente ele
também muda. As manchas em sua pele, vão gradativamente desaparecendo e a
pele vai mudando de textura, assumindo um tom prateado, característico dos
peixes do mar. À medida que o salmão vai mudando o seu corpo, ele também
muda progressiva e radicalmente sua personalidade, passa de um comportamento
agressivo e individualista (altamente competitivo), para agregativo e
compartilhador (altamente cooperativo) vivendo em grupo, juntamente com os
outros salmões.
Algumas
pessoas, conforme vão avançando na vida em direção às suas
necessidades, vão desenvolvendo uma nova visão do mundo e da vida.
Passando por intensas transformações, que acontecem de dentro para fora,
assim como acontece com o Salmão. Vão mudando internamente, e isto acaba
refletindo em sua imagem externa. À medida que isto ocorre, sua atitude e
comportamento também mudam. Com uma outra visão de mundo, e das
possibilidades que existem, passa a conviver com seus semelhantes, pois eles
deixam de representar uma ameaça, não acreditando mais na escassez, não
precisa mais se defender, muito pelo contrário passa a compartir e descobre
a riqueza do conviver.
Após um bom
tempo, o grupo sente um forte impulso para retornar aos rios, voltar ao
lugar onde nasceram (origens) e empreendem uma grande jornada de volta.
Neste retorno, sua pele prateada muda de textura tornando-se opaca. Eles
passam pelos largos rios calmos e tranqüilos de sua adolescência e tem
tanta pressa em atingir seu objetivo que não descansam e não comem, eles
precisam chegar logo...
Quando as
pessoas estão em grupo, compartilham suas visões e passam a ter visões
compartilhadas, enxergando a realidade com um colorido novo. Juntamente com
essa nova visão de mundo, novos desafios surgem, os quais estimulam todos a
participar. Seu envolvimento, com esse desafio é muito maior que com os
desafios que tinham quando viviam sozinhos e a motivação para
conquistá-los também. Buscando metas em conjunto o indivíduo sente-se
forte, pois ele não é mais sozinho, a energia do grupo o alimenta e
energiza.
A cada
quilômetro o trajeto se torna mais desafiante, o grupo de salmões, precisa
vencer além dos quilômetros, as corredeiras. Subir as corredeiras os
deixam exaustos e quase sem forças, neste momento alguns tentam desistir,
mas vendo a luta dos outros para subir, voltam a pular e pular até
conseguir e continuam nadando sem descanso até chegarem às águas calmas
de sua infância.
Quanto mais
as pessoas avançam buscando suas metas na sintonia da cooperação e do
ganha-ganha, muitas vezes os desafios aumentam tornando-se cada vez maiores.
Atravessar alguns destes desafios muitas vezes parece impossível surgindo
em alguns um sentimento de impotência, onde a pessoa sente-se sem forças
para seguir adiante, percebendo-se perdida, desejando em muitas situações
desistir e voltar a precária, mas segura existência de antes. Neste
momento, a força do grupo mais uma vez ajuda a seguir adiante, e a dar o
impulso que faltava para transpor mais um obstáculo e buscar o objetivo
comum.
O impossível
para um é possível para todos.
Quando chegam
aos suaves riachos onde nasceram,a fêmea coloca os ovos e o macho os
fecunda. E assim o salmão, cumpre sua missão de semear novas vidas.
Quando
buscamos atingir nossas metas através da cooperação podemos somar nossas
competências e trazer algo à vida, fazendo nascer o novo. Contribuindo uns
com os outros somos capazes de gerar mais e mais vida.
Referências:
Lannes, L. et alli - Jogos
Cooperativos nas Organizações, Editora SESC-2001
Lynch,D.-Kordis,P.
- A Estratégia do Golfinho, Cultrix-98
Follett, M.P. O Poder. In:
Graham, P. (Org.) Mary Parker Follett: Profeta do Gerenciamento. Rio de
janeiro: Qualitymark Ed., 1997.
Os Jogos
Cooperativos e as Inteligências Múltiplas
por Mônica Teixeira
extraído da seção
"Entendendo os Jogos" da edição 1 do ano II da Revista
Jogos Cooperativos.
O Luizinho da segunda fila
Marcelo é um excelente
professor de Geografia. Na aula sobre o Pantanal até excedeu-se. Falou com
entusiasmo, relatou com detalhes, descreveu com precisão. Preencheu a lousa
com critério, soube fazer com que os alunos descobrissem na interpretação
do texto do livro a magia dessa região quase selvagem. Exibiu um vídeo,
congelou cenas e enriqueceu-as com detalhes, com fatos experimentados,
acontecimentos do dia-a-dia de cada um.
Em sua prova, é evidente,
não deu outra: uma redação sobre o tema e questões operatórias que
envolviam o Pantanal, seus rios, suas aves, sua vegetação... a planície
imensa. Os alunos acharam fácil. Apanharam suas folhas e começaram a
trazer, palavra por palavra, suas imagens para o papel. As canetas corriam
soltas e as linhas transformavam-se em parágrafos. Marcelo sabia o quanto
teria que corrigir, mas vibrava...Sentia que os alunos aprendiam. Descobria
o interesse que sua ciência despertava. Não pôde conter uma emoção
diferente quando Heleninha, sua aluna predileta, foi até sua mesa e arfante
solicitou:
-Posso pegar mais uma folha
em branco?
O único ponto de discórdia,
o único sentimento opaco que aborrecia Marcelo, era o Luizinho, aquele da
segunda fila. – Puxa vida! – pensava – Luizinho assistira todas as
suas aulas, arregalara os olhos com as explicações e agora, na prova,
silêncio absoluto, imobilidade total... nem sequer uma linha. Sentiu
ímpetos de esganar. Luizinho pagaria seu preço, iria certamente para a
recuperação. Se duvidassem poderia, até mesmo, leva-lo à retenção.
Seria até possível arrancar um ano inteirinho de sua vida...
Minutos depois, avisou que o
tempo estava terminado. Que entregassem suas folhas. Viu então que,
rapidamente, Luisinho desenhou, na primeira página das folhas da prova, o
Pantanal. Rico, minucioso, preciso. Marcelo emocionou-se, ao ver aquele
quadro, de irretocável perfeição, nas mãos de Luizinho que coloria as
últimas sobras. Entusiasmado indagou:
-E aí, Luis? Você já
esteve no Pantanal?
Não. Luizinho jamais saíra
de sua cidade. Construiu sua imagem a partir das aulas ouvidas. Marcelo
sentiu-se um gigante e, de repente, descobriu-se o próprio Piaget. Havia
com suas palavras construído uma imagem completa, correta e absoluta na
mente de seu aluno.
Mas, deu zero pela redação.
É claro. Naquela escola não era permitido que se rabiscassem as fol